O morador de morro é rotulado como “favelado”.
Tornou-se senso comum ouvir um ou outro dizer: “OLHA LÁ O MORRO, UMA BAITA FAVELA”! OU “OLHA A FAVELA”. Que medo que dá, só tem marginal.
Só quem vive em um bairro dito “favela” (seja em morro ou terreno plano) para saber a dura realidade em que vivem. Como se não bastasse à falta de infra-estrutura, o preconceito pesa sobre os residentes inclusive na hora de conseguir um emprego ou ir para a faculdade, por exemplo. Para uns, infelizmente, o crime vem como opção para quando não encontram oportunidades de empregos. Quanto à violência, esta nada persona non grata existe em toda a parte.
Os indivíduos aderem aos estereótipos sem antes refletir se tais crenças compartilhadas, muitas vezes baseadas em suposições, condizem com a verdade. Automaticamente, com elas também são criados os incontáveis preconceitos (de cor, classe social, nível educacional e até regional) existentes em um país que se diz livre desta mazela, seja nas campanhas governamentais, seja pelos órgãos representativos.
Gente simples, humilde, mas com garra, disposição, coragem e, muitas vezes, honestidade. É nesses redutos à margem da sociedade onde se vê quem de fato sofre com as agruras do cotidiano. Pessoas que lutam pela sobrevivência, trabalhando, estudando e buscando um lugar ao sol, nem que seja em sonho, mas partir para outro lugar no qual não seja colocado de lado por morar em morro, em “favela”.
“O que é uma favela?”
A favela é definida pelo que ela não é ou pelo que não tem. Nesse caso, é aprendida como um espaço destituído de infra-estrutura urbana – água, luz, esgoto, coleta de lixo; sem arruamento; globalmente miserável; sem ordem; sem lei; sem regras; sem moral, enfim, expressão do caos.
Existente em terrenos elevados e planos, reunindo de algumas centenas de moradores até alguns milhares, possuindo diferentes equipamentos e mobiliários urbanos, sendo constituída por casas e/ou apartamentos, com diferentes níveis de violência e presença do poder público, com variadas características ambientais, as favelas constituem-se como territórios com paisagens razoavelmente diversificadas.
A favela é vista pelos olhos das instituições e dos governos, como um lugar de grande desordem. Vista pelos olhos de outras regiões, estados e metrópoles que concorrem com o Rio de Janeiro pela importância cultural e política do país, especialmente São Paulo, ela é também, por extensão, a própria imagem da cidade.
Ao longo deste século, a favela foi representada como um dos fantasmas prediletos do imaginário urbano: como foco de doenças. Gerador de mortais epidemias, como sítio por excelência de malandros e ociosos, negros inimigos do trabalho duro e honesto, como amontoado promíscuo de populações sem moral.